Todos os dias ela levantava e colocava sua velha roupa de felicidade, vestia-se da cabeça aos pés, aquela vestimenta que, aos olhos alheios, tão linda; calçava aos pés algo que a fazia passar pelos espinhos e não doessem nela; punha uma sombreira que encobria seu rosto, trazendo, diante de todo aquele sol, um sorriso escondido pelas sombras, tinha em suas mãos algo, uma espécia de luva, que abrangia a todos, e todos sentiam-se acalentados com a sua presença, ninguém percebia nada de errado, às vezes ela até passava despercebida diante dos tais.
"Deixa, se fosse sempre assim quente, deita aqui perto de mim. Tem dias, que tudo está em paz e agora os dias são iguais… Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais, seja como for, é uma dor que dói no peito, pode rir agora que estou sozinho, mas não venha me roubar… Vamos brincar perto da usina, deixa pra lá a Angra é dos Reis, por que se explicar se não existe perigo… Senti teu coração perfeito batendo à toa e isso dói. Vai ver que não é nada disso, vai ver que já não sei quem sou, vai ver que nunca fui o mesmo, a culpa é toda sua e nunca foi… Mesmo se as estrelas começassem a cair, a luz queimasse tudo ao redor e fosse o fim chegando cedo, você visse o nosso corpo em chamas! Deixa, pra lá… Quando as estrelas começarem a cair, me diz, me diz pr’onde é que a gente vai fugir?" -
Legião Urbana.
"Pra você guardei o amor que nunca soube dar, o amor que tive e vi sem me deixar, sentir sem conseguir provar, sem entregar e repartir. Pra você guardei o amor que sempre quis mostrar, o amor que vive em mim. Vem visitar, sorrir, vem colorir solar, vem esquentar e permitir. Quem acolher o que ele tem e traz, quem entender o que ele diz, no giz do gesto o jeito pronto do piscar dos cílios, que o convite do silêncio exibe em cada olhar. Guardei sem ter porque, nem por razão ou coisa outra qualquer. Além de não saber como fazer pra ter um jeito meu de me mostrar, achei vendo em você explicação." -
Nando Reis.